terça-feira, 16 de março de 2010

Deputado do PMDB de Nova Iguaçu Vota CONTRA o Estado do Rio de Janeiro no Congresso Nacional


Dois deputados do Rio, Nelson Bornier (PMDB) e Adilson Soares (PR), votaram favoráveis à emenda Ibsen, que altera o critério de distribuição dos Royalties do Petróleo, tanto dos campos já explorados, como dos que ainda vão ser (o pré-sal). Além disso, quatro outros deputados faltaram à votação. O deputado federal, Rodrigo Maia (DEM) estava na Alemanha, participando de evento da União Democrata Cristã. Marina Maggessi (PPS) disse ao jornal O Dia ter passado mal ao constatar que o Rio levaria ‘lavada’ na votação: “Já sabia que seria uma grande sacanagem com o Rio. Meu médico recomendou ficar em casa”. Os deputados Vinícius Carvalho (PT do B) e Senhorita Suely (PR) não foram encontrados pelo jornal fluminense para justificar as ausências. Veja no Blog do Arena Pública o comportamento de todos os deputados do Rio e os deputados de outros estados que votaram contrários à emenda Ibsen:

Fonte:

Ler mais: Blog do Campbell

http://www.blogdocampbell.com.br/2010/03/royalties-dois-deputados-do-rio-votaram.html#ixzz0iLK5dqn0

domingo, 14 de março de 2010

TENDÊNCAS ELEITORAIS, POR MARCOS COIMBRA

Do Estado de Minas

MARCOS COIMBRA

Dentro das pesquisas

Para as oposições, o grave é que aqueles que não sabem (que Dilma é a candidata de Lula) são diferentes dos que já estão informados. São mais pobres, menos educados, residem em regiões menos desenvolvidas. Por isso, recebem em maior proporção o Bolsa-Família e outros programas sociais

Quem, como muitas pessoas na oposição, se assustou com os resultados da recente pesquisa do Datafolha cometeu, provavelmente, dois equívocos. De um lado, pode ter superestimado a gravidade da situação que descrevia para Serra naquele momento. De outro, no entanto, pode ter subestimado os problemas que ele deve enfrentar nos próximos meses.

O encurtamento da vantagem de Serra em relação a Dilma já era conhecido desde janeiro, por meio de pesquisas públicas realizadas pela Vox Populi e a Sensus. Além delas, havia outras, não destinadas à divulgação, que as corroboravam. O meio político já trabalhava, portanto, com um cenário de virtual empate entre eles. Na da Sensus, concluída na última semana do mês, a distância entre ambos havia ficado em cinco pontos percentuais. No fim de fevereiro, o Datafolha apontou quatro pontos, isto é, a mesma coisa.

A estabilidade nesse período era boa para Serra. Se considerarmos que as duas pesquisas são plenamente comparáveis, poderíamos dizer que ele caiu entre dezembro e janeiro, com algumas alterações na distribuição socioeconômica e geográfica de suas intenções de voto (nenhuma muito expressiva, no entanto). Mas esse desgaste não continuou nas semanas seguintes, pois um mês se passou sem mudança nos números.

Para quem, como ele, insiste em permanecer recluso e sem disposição de entrar em campo, não seria mal se as coisas estivessem assim. Sua vantagem, embora menor, permanecia, subindo significativamente quando Ciro Gomes saía da lista. Como a hipótese de só ficarem ele, Dilma e Marina parece provável, os oito pontos percentuais de frente eram reconfortantes (sempre lembrando que a ministra faz campanha e ele não).

Ou seja, as queixas unânimes de seus companheiros, insatisfeitos com sua opção de esperar o tempo certo, não seriam tão procedentes. Se o prejuízo estava contabilizado e parecia interrompido, não haveria por que pisar no acelerador. De pouco adiantaria, aliás, pois nada se compara ao poderio de comunicação de Lula e do governo federal. A ficar como Davi bradando contra Golias, quem sabe não seria mesmo melhor o silêncio em público (e a guerrilha no bastidor)?

Não tem razão, assim, quem olhou essa pesquisa e se desesperou. Se o que ela indicava fosse uma tendência, haveria muito que comemorar, no campo serrista, nos seus resultados.
O problema são as respostas a outras perguntas, além das de simples intenção de voto. Mais exatamente, as relativas ao nível de conhecimento dos candidatos, a dimensão crucial de uma eleição onde uma contendora fortíssima é ainda quase desconhecida por uma proporção muito grande do eleitorado.

Na pesquisa do Datafolha (também nesse aspecto semelhante às demais), acertaram o nome da candidata de Lula 59% dos entrevistados. O que quer dizer que os restantes 41% não teriam qualquer razão para votar em Dilma.

Se alguém não sabe sequer que ela é a candidata de Lula, sabe o quê? Como poderia dizer que votaria em uma pessoa que desconhece completamente? Como pensaria em seu nome para o cargo mais importante do país?

Para as oposições, o grave é que aqueles que não sabem são diferentes dos que já estão informados. São mais pobres, menos educados, residem mais em cidades pequenas e nas regiões menos desenvolvidas. Por isso, recebem em maior proporção o Bolsa-Família e outros programas sociais. São os que mais percebem que sua vida melhorou no período Lula e que, em função disso, estão mais satisfeitos com seu governo e mais dispostos a votar em quem ele indicar para continuar o que faz.

Segundo o Datafolha, o conhecimento de que Dilma é a candidata de Lula cresceu sete pontos (indo de 52% para 59%) entre dezembro e o fim de fevereiro. Nesse intervalo, no cenário com Ciro, ela subiu cinco pontos e Serra caiu cinco. São números tão parecidos que sugerem que a intenção de voto em Dilma cresce na razão direta do aumento de seu conhecimento, enquanto que com Serra a razão é inversa. Ele cai à medida que ela se torna conhecida.

Olhando para quem falta conhecê-la, a oposição tem todos os motivos para ficar (muito) preocupada com o que parece estar vindo pela frente

sexta-feira, 12 de março de 2010

Na marcha de Vinhedo a Louveira, mulheres destacam o combate ao agronegócio

As duas mil militantes da Marcha Mundial das Mulheres, em caminhada de dez dias entre Campinas e São Paulo,
defendem a reforma agrária e a agricultura familiar.

Um batuque fúnebre abriu nesta quinta-feira (11) o terceiro dia de caminhada da Marcha Mundial das Mulheres pela rodovia Anhanguera. Após terem andado 11 quilômetros entre Campinas e Valinhos na segunda-feira e 14 quilômetros entre Valinhos e Vinhedo ontem, as duas mil militantes que participam da 3ª Ação Internacional venceram com facilidade os oito quilômetros que separam Vinhedo de Louveira. O silêncio inicial, marcado pelo toque ritmado da Fuzarca Feminista, era uma homenagem às mulheres assassinadas no mundo inteiro e um sinal de apoio às feministas do México, que neste mês lançaram uma campanha contra o feminicídio.

Seguindo o revezamento das delegações, hoje foram as caminhantes do Distrito Federal e do Tocantins que iniciaram a Marcha. As palavras de ordem puxadas por elas destacaram o combate à corrupção e a luta pela defesa do Cerrado, da agricultura familiar e da reforma agrária. A principal porta-voz da bancada ruralista no Congresso Nacional foi lembrada por diversas vezes pelas tocantinenses, que cantaram: “Você não quer, nem mesmo eu, ouvir falar da Kátia Abreu”.

Atividades de formação

Os dez painéis de debates simultâneos que aconteceram ontem durante o período de atividades de formação (das 16 às 19h), em Vinhedo, representaram bem a diversidade de temas e de culturas que marca a Marcha Mundial das Mulheres. Os assuntos discutidos foram economia solidária e feminista; saúde da mulher e práticas populares de cuidado; sexualidade, autonomia e liberdade; educação não sexista e não racista; mulheres negras e a luta anti-racista; mulheres indígenas; a mídia contra-hegemônica e a luta feminista; a mercantilização do corpo e da vida das mulheres; prostituição; mulheres, arte e cultura.

Olga Macuxi, de Roraima, compartilhou a experiência das mulheres guerreiras que participaram da luta pela homologação da Raposa Serra do Sol e falou sobre o processo de organização do movimento de mulheres indígenas. “A OMIR [Organização de Mulheres Indígenas de Roraima] iniciou uma campanha de conscientização contra o álcool nas aldeias. A bebida está ligada a maior parte dos casos de violência contra mulheres e prostituição”, contou Olga. Além das indígenas de Roraima, também estão marchando mulheres do povo Sateré-Maué (do Amazonas) e do povo Tupinambá (da Bahia).

Na tenda em que se reuniram as mulheres negras, a militante mineira Maria Teresa destacou a importância do movimento de mulheres incorporar a luta anti-prisional. “Dos 46 mil presidiários de Minas Gerais, 38 mil são negros. Para as presas, os maus tratos são ainda mais intensos. Ao contrário dos homens, elas não têm direito a visita íntima e, se forem lésbicas e se beijarem, passam uma semana na solitária. Se forem pegas em algum contato mais íntimo, o castigo dura três meses”, afirmou ela. “Tenho quatro filhos biológicos e mais quatro adotivos. Um deles começou a roubar. A sociedade nunca me agradeceu pelos sete cidadãos responsáveis que criei, mas estou cansada de escutar ´Só podia ser preta, por isso o filho é ladrão`”, desabafou Maria Teresa.

O caráter de resistência política da cultura popular foi o eixo do debate sobre mulheres, arte e cultura, que contou com a presença de uma convidada especial: a cantora e compositora Ellen Oléria. “Com a feijoada, as mulheres negras conseguiram transformar restos no prato mais famoso da culinária brasileira”, comemorou a cantora. “Com nossa luta, temos muitas conquistas. Ter uma protagonista negra na novela das oito, por exemplo, é algo positivo. , Sem entrar no mérito do conteúdo, pelo menos agora uma menina negra não vai mais perguntar para a mãe se pode ser modelo, porque ela já vai saber que pode, sim”, completou Ellen.

Na tarde de hoje, um grande debate único sobre o trabalho das mulheres e a autonomia econômica reunirá as duas mil caminhantes. A socióloga Helena Hirata vai contribuir com a discussão. Amanhã, às 6h, a Marcha Mundial das Mulheres volta às ruas, rumo a Jundiaí. O destino final é São Paulo, no dia 18 de março.

Mais informações: http://www.sof.org.br/acao2010/

quinta-feira, 11 de março de 2010

Encontro AE-Baixada

Seminário da Juventude da Articulação de Esquerda -RJ

terça-feira, 9 de março de 2010

ANIVERSÁRIO DE 2 ANOS DO NÚCLEO PETISTA JPC - RJ!!!

Neste dia 09 de março de 2010, completa-se dois anos do nosso Núcleo PeTista Juventude Política e Cidadania - JPC, tendo como local da realização pública de formalização da fundação do núcleo, se deu no salão paroquial da Igreja São Sebastião de Austin, no dia 09 de março de 2008 com a presença de mais de 60 pessoas oriundas de vários municípios da baixada, tendo como convidados a participar da mesa o camarada Taffarel presidente da câmara de vereadores de Mesquita, o vereador Marcelo Morais de Belford-Roxo, a vereadora de Nova Iguaçu Professora Marli e o atual vice prefeito do município de Queimados Dequinha, com vários dirigentes do PT municipal de Nova Iguaçu presentes tendo presidido a mesa o atual coordenador do núcleo Ronaldo M.Cerqueira.

Foi um momento marcante antes mesmo da fundação do Núcleo JPC no ano de 2007, iniciamos uma série de reuniões com objetivo de ser organizarmos organicamente como núcleo PeTista, fizemos vários encontros de formação discutindo e refletindo a luz do estatuto do nosso partido PT, onde iniciamos com o 1º encontro de formação a história do PT, 2º encontro conjuntura e o 3º encontro sobre o socialismo, depois desses encontros tiramos como prioridade à fundação do núcleo, tínhamos muitos militantes soltos que nós reuníamos de vez em quando para discutirmos política ou ser organizamos para as campanhas desde o ano de 1996, como militantes da Pastoral da Juventude e do PT, em 2004 contribuímos de forma decisiva na campanha do Lindberg Farias onde contribuímos na coordenação geral da campanha em Austin nosso bairro de origem e conseguimos chegar a vitória do Lindberg Farias aqui em Nova Iguaçu sendo eleito o primeiro prefeito do PT do município fato marcante para nossa militância.

Participamos do governo Lindberg Farias contribuindo onde nós formos desiguinados da melhor forma possível tendo como protagonista principal o munícipe de Nova Iguaçu.

O ano de 2006 foi um ano marcante onde conseguimos engrenar a campanha a deputado federal do Taffarel esta foi sim um fato histórico tendo um militante oriundo da Pastoral da Juventude tentando uma vaga na câmara dos deputados em Brasília.

Chegando o ano de 2008, após a fundação do nosso Núcleo JPC, iniciamos meses depois a campanha de reeleição do prefeito Lindberg Farias onde eu Ronaldo fui coordenador geral da campanha em Austin, indicado pelo PT, conseguimos uma vitória marcante ainda no 1º turno com o dobro de votos do segundo colocado Lindberg Farias reeleito com a militância do JPC fazendo todos esforços necessários para que isso ocorresse.

Já no ano de 2009 tivemos uma perda imensa para nosso núcleo um dos mais animado, motivado e grande entusiasta para a fundação do núcleo o meu pai José de Castro Cerqueira veio a falecer, no mês de fevereiro de 2009, momento difícil e de grande dor para nós militantes do JPC – PT.

Depois desse momento adverso dessa grande perda já tínhamos uma afinidade com a corrente interna do PT – Articulação de Esquerda que tem o perfil mais próximo da nossa na linha marxista-leninista e definitivamente entramos organicamente na corrente e deixamos só de ser próximo hoje nosso Núcleo JPC é referência para Articulação de Esquerda aqui na baixada fluminense – RJ.

No ano de 2009, lançamos uma candidatura interna para a presidência do PT – RJ, o camarada Taffarel e uma chapa sangue puro da AE – Esquerda Socialista para o PED.

Agora em 2010, temos novamente uma empreitada na qual lançaremos como prioridade da Articulação de Esquerda o camarada Taffarel como candidato a deputado federal.

Também teremos prévias do PT no final desse mês de março provavelmente no dia 28/03/10, para senado na qual estarão concorrendo o prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias x Benedita da Silva.

Nós da AE e do JPC apoiaremos sem sombra de dúvidas o camarada Lindberg Farias.

Temos que somar forças para eleição presidencial onde teremos como eixo principal à vitória da DILMA, prioridade do PT e do LULA.

Nosso Núcleo JPC, desde a sua fundação teve papel decisivo em vários momentos é um dos núcleos mais atuantes do PT no Rio de Janeiro.

Os signatários e fundadores do Núcleo Juventude, Política e Cidadania JPC - PT:

José de Castro Cerqueira – in memoriam

Ronaldo Monteiro Cerqueira

Guilherme Monteiro Cerqueira

Viviane Ribeiro Tavares

Janaína Felipe de Oliveira

Valéria Ataíde de Sousa

Tiago dos Santos Furtado

Daniel da Costa Melo

Clodoaldo Ferreira de Almeida

Renato Cordeiro

Rogério Santana

Sérgio Maurício de Loreno

Francismar Monteiro Cerqueira

Fágner Medeiros de Lima

Genilton Santana

Ricardo da Paz

Lúcio de Assis

Ângela Cristina dos Santos

Ana Patrícia dos Santos

Ronaldo Monteiro Cerqueira

Em 09 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

O dia da Mulher nasceu das mulheres Socialistas


Por Vito Gianotti

Quando começou a ser comemorado o Dia Internacional da Mulher? Quando começou a luta das mulheres por sua libertação? Qual a influência do movimento socialista na luta das mulheres? E o 8 de março como nasceu? A data teve origem do quê? Onde?

Estas e outras questões merecem uma atenção especial neste 2003, quando nos jornais e na internet apareceram repetidamente versões diferentes, da tradicional, sobre a origem do Dia da Mulher e seu significado. Todas estas versões, no entanto, esqueceram a palavra chave, que está na história da luta da mulher por sua libertação: mulher “socialista”.

Este ano, nas vésperas do 8 de março o jornal cearense O Povo publicou um longo artigo de uma professora da Universidade Federal do Ceará que deixou muita gente assustada. O mesmo aconteceu em vários artigos que circularam na internet. Para encarecer a dose, logo após a comemoração do Dia da Mulher, o novo jornal de esquerda que acabava de sair, Brasil de Fato, no seu número 1, também traz um artigo da mesma professora da UFC, Dolores Farias, que reafirma o que ela havia escrito no jornal O Povo, dias antes. Vi gente ficar furiosa com a contestação da origem da data do Dia Internacional da Mulher. Procurando entender o porquê desta confusão.

Na verdade, a questão da origem do 8 de março já existe há anos. Em 1996, o Jornal do Brasil trazia um artigo da professora da UERJ, Naumi Vasconcelos, no qual ela dizia que tal greve de Nova Iorque, em 1857, na qual teriam morrido 129 operárias queimadas vivas, nunca existiu. E ela afirma que a origem desta data é bem outra.

No mesmo ano, em março, Conselho de Classe, jornal do SEPE, sindicato dos professores da rede pública do estado do Rio de Janeiro, trazia um artigo da mesma professora Naumi, com o título sugestivo de: “Quem tem medo do 8 de março?” Neste, a autora citava, como fonte fundamental para a discussão, um livro de uma pesquisadora canadense intitulado: “O dia Internacional da Mulher – Os verdadeiros fatos e datas das misteriosas origens do 8 de março, até hoje confusas, maquiadas e esquecidas”.

Este livro, da autora canadense Renée Côté, saiu em 1984 e estranhamente ficou esquecido por várias razões. O livro da Renée é totalmente antiacadêmico, anticonvencional. Mas, mais do que a forma, o que fez o livro cair no esquecimento foi o que ela diz, que incomoda muita gente. Ela prova por a + b, ao longo de 240 páginas, que as certezas que nos anos 1960, 70 e 80, foram criadas pelos movimentos feministas, a respeito do surgimento do 8 de março, são pura ficção. Ela derruba um mito caro às mulheres feministas, que tanto penaram para afirmar esta data. Além disso, o livro foi deixado cair no esquecimento porque é mais fácil aceitar versões já consolidadas de histórias caras às nossas vidas, do que se questionar sobre mitos estabelecidos. Um pouco como, para muitos, é mais fácil aceitar a historinha de Adão e Eva, criados do barro, uns seis mil anos atrás, do que se questionar sobre as origens do homem, bem mais complexas, centenas de milhares de anos atrás.

Há um outro fator, que acho determinante, que fez o livro da autora canadense cair no limbo. Ela deixa transparecer, o tempo todo, sua visão favorável à autonomia dos movimentos sociais frente aos partidos e mostra uma prevenção à própria idéia de partido político. O livro se insere no grande leito da luta autonomista, típica dos movimentos de esquerda dos anos 70. Isto a antipatiza com muitos setores da esquerda mais influente, que poderiam ter divulgado sua obra. Mas deixando de lado simpatias, ou alergias, vamos entra no cipoal deste mito.

A explicação da origem do mito da greve de Nova Iorque de 1857, nos EUA, e do esquecimento de outra greve real, concreta e proibida, de 1917 na Rússia, vamos ver só no final do artigo. A questão chave é ver porque, no mundo bipolar da Guerra Fria dos anos 60 do século passado, os dois blocos em disputa aceitaram a versão de uma greve de mulheres, em 1857, nos EUA, e esqueceram uma outra greve de mulheres, em 1917, na Rússia? Os motivos são mais políticos que psicológicos. Vejamos.

O clima mundial quando nasceu o mito de 1857

A idéia da libertação da mulher nasceu na terra fértil do movimento socialista mundial, no final do século XIX e começo do século XX.

As raízes desta batalha podem ser encontradas nos escritos de Marx e Engels. A visão da família, da mulher proletária e da burguesa que permeiam A Origem da Família, da propriedade e do Estado, de Engels, é a base da visão dos socialistas da necessidade da libertação da mulher proletária. A frase do Marx “A opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem”, demorou para dar seus frutos, mas deu.

Contemporâneos de Marx, Paul Lafargue e Laura Marx foram batalhadores da igualdade e da libertação feminina, em seus vários escritos e sobretudo em seu livro mais conhecido Direito à preguiça.

Clara Zetkin, desde 1890, logo após a fundação da Internacional Socialista, começou a falar, escrever e organizar a luta das mulheres visando integra-las à luta socialista. Visando a que elas tomassem seu lugar na luta de classes, na revolução.

Fora da 2ª Internacional, a tradição anarquista de uma parte do movimento operário exigia a igualdade de homens e mulheres. A realidade, naquele começo do movimento da classe trabalhadora ainda era dura: partido e sindicato eram coisas de homem. Mas, mesmo nesse ambiente desfavorável, grandes mulheres passaram a discutir com as maiores lideranças da época e deixaram suas marcas em livros e artigos e na organização das forças revolucionárias. Foi neste embate de idéias que um dos teóricos da Internacional, August Bebel, escreveu seu livro A mulher e o socialismo. E é nesse grande rio que deságua o célebre A nova mulher e a moral sexual, de Alexandra Kollontay.

Neste ambiente de lutas operárias e de discussões teóricas, no campo socialista, que nasceu a luta pela participação política e, pouco a pouco, pela libertação da mulher.

A partir do começo do século XX, esta batalha das socialistas se cruzou com a de um punhado de mulheres independentes, em sua maioria pertencentes à classe média e alta, que estavam em campanha pelo direito de voto. Estas mulheres, sobretudo nos Estados Unidos, ao reivindicar o sufrágio para as mulheres, foram conhecidas como as sufragistas e suas relações com as socialistas eram de conflito.

As mulheres socialistas se organizam e criam o Dia da Mulher

Desde 1901, logo após a criação do Partido Socialista, nos EUA, surge a União Socialista das Mulheres, com a finalidade de reivindicar o direito de voto feminino. Entre os anos 1904 e 1908, sempre nos Estados Unidos, nascem vários clubes de mulheres, uns intimamente ligados ao Partido Socialista, outros mais autônomos, anarquistas ou não.

Em 1908, a Federação dos Clubes de Mulheres Socialistas de Chicago toma a iniciativa, autônoma, não ligada oficialmente ao Partido Socialista, de chamar para um Dia da Mulher, num teatro da cidade. Era o domingo 3 de maio. Os debates do dia tinham dois temas de pauta: 1- A educação da classe trabalhadora, e 2- A mulher e o Partido Socialista.

Nesta conferência o palestrante, Ben Hanford repetiu uma das idéias chaves de Engels no seu Origem da família da propriedade e do Estado: “As mais exploradas são as mães do nosso povo. Elas estão de mãos e pés amarrados pela dependência econômica. São forçadas a vender-se no mercado do casamento, como suas irmãs prostitutas no mercado público.”

Mas não foi este encontro independente, no teatro The Garrick, de Chicago, que foi reconhecido pelo Partido Socialista como o começo da comemoração do Dia da Mulher. A iniciativa deste dia tinha nascido fora da estrutura oficial do Partido.

O primeiro Dia da Mulher, nacional, assumido pelo Partido, foi no ano seguinte, em Nova Iorque, em 28 de fevereiro de 1909. Em outras cidades do País, como Chicago, o dia foi celebrado em outras datas.

O objetivo deste dia, convocado pelo Comitê Nacional da Mulher do Partido Socialista americano, era “obter o direito de voto e abolir a escravidão sexual”. O panfleto de convocação dizia: “A realização da revolução das mulheres é um dos meios mais eficazes para a revolução de toda a sociedade.”

Desde o começo do século, nos EUA havia um importante movimento pelo voto feminino, fora da órbita dos socialistas. A maioria das mulheres do Parido consideravam o movimento pelo voto com desprezo, unicamente como um movimento de “mulheres brancas e de classe média”. Porém, dentro do Partido Socialista há um constante vai-e-vem sobre este tema. Por seu lado, as mulheres anarquistas não viam nenhum sentido na luta pelo voto, nem das mulheres e nem dos homens. O meio para construir uma nova sociedade não seria certamente o voto, e sim a ação direta revolucionária.

Mas o ambiente americano favorecia esta reivindicação. Até o ano de 1909, em quatro estados era reconhecido o direito ao voto feminino. A extensão do voto para toda mulher americana só virá em 1920.

Na Europa o movimento das mulheres socialistas, liderado por Clara Zetkin, também era cheio de zigezagues. No começo, dentro da Internacional se levava uma guerra sistemática contra o voto feminino, visto como uma forma de desviar as forças revolucionárias das mulheres e considerado como uma reivindicação burguesa. Era assim que eram tachadas as sufragistas pelas socialistas. Esta visão européia será adotada pelo Partido Socialista americano, em meio a grandes debates e com vozes discordantes.

Mas, no meio de todas as contradições deste debate, em 1907, em Stuttgart, na 1ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, 58 delegadas de 14 paises elaboraram uma proposição que comprometia os vários Partidos Socialistas a entrar na luta pelo voto feminino. A proposição foi elaborada, na véspera, na casa da Clara Zetkin, por ela e duas camaradas que se hospedaram em sua cas, Rosa Luxemburg e Alexandra Kollontay, única russa da Conferência.

É nesse clima de embates que, em 1910 o Partido Socialista americano organiza, pela segunda vez, o Dia da Mulher para o último domingo de fevereiro, em Nova Iorque. O objetivo é declarado sem rodeios no convite: “arrolar as mulheres no exército dos camaradas da revolução social”.

Esta comemoração de 1910 foi marcada por uma grande participação de operárias. As costureiras da cidade haviam terminado uma longa greve pelo direito de ter seu sindicato reconhecido. A greve durou de 22 de novembro de 1909, até 15 de fevereiro, quase véspera do Dia da Mulher. Foi uma greve longa, dura, com fortes piquetes, reprimidos com violência pela polícia, que prendeu mais de 600 pessoas. Encerrada a greve há poucos dias, as costureiras participaram ativamente do Dia da Mulher chamado pelo Partido Socialista.

Dois meses depois, em maio, no congresso do Partido, realizado em Chicago, foi deliberado que o Partido americano enviaria delegados ao Congresso da Internacional, dali a três meses,com a tarefa, entre outras, de propor ao plenário, que o Dia da Mulher fosse assumido pela Internacional e que se tornasse o Dia Internacional da Mulher, a ser celebrado pelos socialistas, no último domingo de fevereiro de cada ano.

Em agosto do mesmo ano de 1910, antes do congresso do Partido, se realizou, em Copenhagem, Dinamarca, a 2ª Conferência Internacional das Mulheres Socialistas. Foi ali que as delegadas americanas levaram a proposta aprovada em seu País. Assim, sob proposta das delegadas americanas, Clara Zetkin e outras camaradas propõe a realização anual do Dia Internacional da Mulher. A data ficou indefinida, a cargo de cada país comemorar o seu dia na melhor data. A resolução aprovada será publicada, logo em seguida, no jornal dirigido pela Clara, A Igualdade, em 29 de agosto. “As mulheres socialistas de todas as nações organizarão um Dia das Mulheres específico, cujo primeiro objetivo será promover o direito de voto das mulheres. É preciso discutir esta proposta, ligando-a à questão mais ampla das mulheres, numa perspectiva socialista.”

A partir desta conferência, as mulheres socialistas passarão a comemorar o Dia Internacional das Mulheres, sempre aos domingo. Nos primeiros três anos após esta resolução, este dia, na maioria dos paises, é marcado para o último domingo de fevereiro.

Dia da Mulher se fixa em 8 de Março

Na Europa, a primeira celebração do Dia Socialista das Mulheres aconteceu em 19 de março de 1911, por decisão do Secretariado da Mulher Socialista, órgão da Internacional. Alexandra Kollontay, que propôs a data, diz que foi para lembrar um levante de mulheres proletárias, na Prússia, em 19 de março de 1848. Neste dia as mulheres conseguiram do rei da Prússia a promessa, depois não cumprida, de obter o direito de voto.

Nos EUA, a tradição de realizar o Dia da Mulher no último domingo de fevereiro se repetiu em 1911, 1912 e 1913. Em 1914 será comemorado em 19 de março.

Nos vários paises da Europa, após a decisão da 2ª Conferência, onde havia um partido socialista, se começou a comemorar o dia da Mulher.

Na Suécia a primeira comemoração foi em 1º de março de 1911. O mesmo aconteceu na Itália. Na França o começo do Dia da Mulher foi em 1914, comemorado dia 9 de março, próximo ao Dia da Mulher na Alemanha.

Em 1914, pela primeira vez, na Alemanha, as mulheres socialistas marcam a data do Dia da Mulher para 8 de março. Não se explicou o porque desta data, pois não precisava. Era um detalhe sem interesse. A data era totalmente indiferente. Importante era a realização do dia.

Na Rússia, debaixo da opressão do Czar, o primeiro Dia da Mulher só foi comemorado em 3 de março de 1913. Em 1914 todas as organizadoras do Dia da Mulher serão presas e com isso não houve comemoração.

Em plena Guerra Mundial, em 1917, na Rússia, as mulheres socialistas realizaram seu Dia da Mulher no dia 23 de fevereiro, pelo calendário russo. No calendário ocidental, a data correspondia ao dia 8 de março.

Neste dia, em Petrogrado, um grande número de mulheres operárias, na maioria tecelãs e costureiras, contrariando a posição do Partido, que achava que aquele não era o momento oportuno para qualquer greve, saíram às ruas em manifestação por pão e paz. Declararam-se em greve. Esta manifestação foi o estopim do começo da primeira fase da Revolução Russa, conhecida depois como a Revolução de Fevereiro.

Esta greve foi documentada nos escritos de Trotsky e de Alexandra Kollontay, ambos membros do Comitê Central do Partido Operário Social-democrata Russo e ambos, depois, proscritos pelo stalinismo vencedor. Kollontay escreve: “O dia das operárias, 8 de março, foi uma data memorável na história. Neste dia as mulheres russa levantaram a tocha da revolução.”

Mas o texto que melhor nos conta os fatos da greve das operárias de Petrogrado é um longo trecho de l. Trotsky, no primeiro volume do seu livro História da Revolução Russa. Vale a pena acompanha-lo:

“O 23 de fevereiro era o Dia Internacional das Mulheres. Se programava, nos círculos da social-democracia, de mostrar o seu significado com os meios tradicionais: reuniões, discursos, boletins. Na véspera, ninguém teria imaginado que este Dia das Mulheres pudesse ter inaugurado a revolução. Nenhuma organização planejava alguma greve para aquele dia. Ainda por cima, uma das mais combativas organizações bolcheviques, o Comitê do tecelões de rayon, de Vyborg, formado essencialmente por operários, desaconselhava qualquer greve. O estado de espírito das massa, segundo Kaiurov, um dos chefes operários deste setor, era muito tenso e cada greve ameaçava tornar-se um confronto aberto. O Comitê julgava que o momento de começar as hostilidades ainda não tinha chegado e que o Partido ainda não tinha forças suficientes e, ao mesmo tempo, a união entre soldados e operários ainda era insuficiente. Por isso tinha decidido de não chamar para a greve, mas para se preparar para a ação revolucionária, num futuro ainda não definido. Esta era a linha de conduta preconizada pelo Comitê, na véspera do dia 23, e parecia que todos a tivessem aceita. Mas, na manhã seguinte, contra todas as orientações, as operárias têxteis abandonaram o trabalho em várias fábricas e enviaram delegadas aos metalúrgicos para pedir-lhes que apoiassem a greve. Foi a contragosto, escreve Kaiurov, que os bolcheviques, seguidos pelos operários mencheviques e pelos socialistas de esquerda se juntaram à marcha. Como se tratava de uma greve de massa, era necessário comprometer todo mundo para sair às ruas e estar à frente do movimento. Esta foi a resolução proposta por Kaiurov e o Comitê de Vyborov se sentiu forçado a aprova-la.

Pelos fatos, é então certo que a Revolução de Fevereiro foi iniciada por elementos da base que passaram por cima da oposição das suas organizações revolucionárias e que a iniciativa foi tomada espontaneamente por um contingente do proletariado explorado e oprimido mais que todos os outros, as operárias têxteis. (…) O empurrão final veio das enormes filas de espera na frente às padarias.”

Em 1921, realiza-se, em Moscou, na URSS, a Conferência das Mulheres Comunistas que adota o dia 8 de marco como Data unificada do Dia Internacional das Operárias. A partir dessa conferência, a 3ª Internacional, recém criada, espalhará a data do 8 de março como data da comemorações da luta das mulheres.

Um dia esquecido e depois reinventado

Na Rússia comunista, após a vitória da Revolução de Outubro, nos primeiros anos do novo regime, no dia 8 de março se realizava o Dia Internacional da Mulher Comunista. O dia, pouco a pouco, perdeu seu interesse e o adjetivo comunista foi caindo à medida que o ímpeto revolucionário da União Soviética começou a se arrefecer.

Nos anos 30 o Dia Internacional da Mulher, seja comunista que socialista, se perderá na tormenta que se abateu sobre o mundo. A ascensão do nazismo na Alemanha, o triunfo do stalinismo na URSS e o declínio da Social-democracia na Europa e o vendaval da IIª Guerra Mundial enterrarão as manifestações do Dia da Mulher.

A humanidade só voltará a falar do Dia da Mulher, no final dos anos 60.

Neste lapso de tempo, o marco do 8 de março, data da greve das operárias de Petrogrado, de 1917, foi esquecido. A data da vitória das revolucionárias rebeldes russas, que impôs a derrota do absolutismo do Czar e deslanchou a Revolução Russa, não interessava aos comunistas do mundo todo. Estes, quase todos, viviam anestesiados pelos encantos ou pelo terror stalinista. Retomar a lembrança daquele 8 de Março das operárias revolucionarias de Petrogrado, também não interessava à Social-democracia, rejuvenescida após a destruição da guerra e em conflito aberto com o comunismo dos países do bloco soviético.

Menos que menos, a data do 8 de março de 1917, na nascente URSS, interessava ao bloco capitalista ocidental, inimigo mortal da Rússia comunista.

Foi assim, sem precisar de uma conspiração organizada por um suposto império do mal, que na Alemanha comunista, em 1966, a Federação das Mulheres Comunistas retomou o Dia da Mulher. Vimos que o fizeram de forma confusa, misturando fatos com fantasias, inventando datas e detalhes.

E foi assim, sem nenhuma deliberação conspiratória, que o mito que acabava de ser criado, em 1966, no Leste Europeu, começou a ser divulgado e foi depois enriquecido fartamente, nos EUA do final dos anos 60.

Depois disso era só enriquecer o mito. O que foi feito, até sua cristalização em 75, com a ONU e logo depois com a Unesco.

8 de Março: uma data a enriquecer

Derrubar o mito da origem da data do 8 de março não implica em desvalorizar o significado histórico que este adquiriu. Muito ao contrário. Significa enriquecer a comemoração deste dia com a retomada de seu sentido original. Significa voltar às origens, para que a cepa-mãe do ideal socialista possa alimentar, sem medos, e sem vergonha pelas derrotas sofridas pelas revoluções perdidas no século XX, a arvore, ainda frágil, da luta pelos direitos e pela libertação total das mulheres. Significa integrar todos os novos e importantíssimos aspectos da luta da libertação da mulher, descobertos com a evolução histórica da humanidade no século XX, com a retomada de suas raízes socialistas. Integrar à clássica luta socialista/comunista do começo do século, as cointribuições de Wilhem Reich, Simone de Beauvoir, Herbert Marcuse, Samora Machel, Betty Friedann, Rose Marie Muraro e milhares de ativistas ,militantes e organizadoras da luta das mulheres, no mundo inteiro. Sem medo da felicidade, sem medo do prazer. Sem medo de lutar por uma revolução, que deverá ser social, sexual, e profundamente cultural. Sem medo de levantar as bandeiras vermelhas da luta pela libertação da humanidade, homens e mulheres.


Fonte: Página 13