sexta-feira, 5 de março de 2010

Iriny: Lula deve pedir fim do bloqueio dos EUA em Cuba


Do Terra notícias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve pedir hoje à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, “o fim do bloqueio (econômico) contra Cuba”, imposto pelos EUA em 1962, afirmou a deputada Iriny Lopes, secretária de Relações Internacionais do PT. As informações são da Agência Ansa.

Em entrevista, Lopes afirma que “uma postura mais construtiva da parte do governo (de Barack) Obama, a começar pelo fim do bloqueio contra Cuba”, pode melhorar as relações entre Brasil e Estados Unidos.

Lula – que na última semana esteve na ilha caribenha, onde foi recebido pelo presidente do país, Raúl Castro, e também por Fidel, que está afastado da vida pública desde 2006 – se reunirá às 15h, horário de Brasília, com Hillary.

Além de Cuba, outros temas da agenda do encontro devem ser o programa nuclear iraniano – já que os Estados Unidos buscam apoio de outras nações para aplicar novas sanções contra o governo de Mahmoud Ahmadinejad – e a coordenação de ajudas ao Haiti, país que foi devastado por um terremoto em 12 de janeiro passado.

Sobre a possibilidade de o Brasil reformular sua posição sobre o Irã, onde o mandatário brasileiro é esperado no próximo mês de maio, Lopes esclarece que “quem decide a agenda do presidente Lula é o presidente Lula” e garante que “as pressões dos Estados Unidos são improdutivas”.

“A postura dos Estados Unidos frente ao Irã é de confronto, não de negociação. Uma postura semelhante a que resultou nas guerras do Iraque e do Afeganistão. O Brasil é pelo diálogo”, complementa.

Outro tema que pode ser discutido é a possível viagem de Obama ao país, que pode ocorrer ainda neste ano. Antes de ser recebida por Lula, a chefe da diplomacia norte-americana – que chegou na noite de ontem ao país — visitou o Congresso Nacional, onde se reuniu com os presidentes da Câmara, Michel Temer, e do Senado, José Sarney.


Fonte: Página 13

quinta-feira, 4 de março de 2010

Folha S. Paulo maquia dados sobre o PAC

A seguir nota da Casa Civil da Presidência da República sobre as recentes matérias do jornal Folha de São Paulo com relação ao PAC:

1. São infundadas e inaceitáveis as acusações do jornal Folha de S. Paulo (02.03.2010) a respeito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Se existe “maquiagem” ou tentativa de “esconder” informações em relação ao PAC, ela está na reportagem do jornal, e não nos balanços periódicos do Programa.

2. A Casa Civil da Presidência da República reitera que não há hipótese de manipulação das informações dos nove relatórios do PAC. Os balanços são transparentes e sempre foram amplamente divulgados e exaustivamente analisados pela imprensa. Tanto é assim que, a partir deles, a própria Folha pode fazer sua pesquisa e sua pauta para a elaboração da reportagem. Além disto, os dados estão disponíveis a qualquer interessado na internet.

3. Todas as alterações de cronogramas das ações do PAC estão registradas nos balanços, como, aliás, admite a própria Folha ao longo do texto: “(…) em consultas ao primeiro balanço oficial do PAC, de maio de 2007, e aos oito seguintes (…) descobre-se que muitas das obras (…) passaram por uma revisão de metas e tiveram seu prazo de conclusão dilatado…”

4. Os balanços do PAC sempre fizeram referência às ações desenvolvidas dentro do Programa, classificando seu andamento como “adequado”, “atenção” ou “preocupante” de acordo com os riscos apresentados à execução de cada uma.

5. Mesmo alertada sobre esse critério objetivo, a Folha optou pelo caminho da manipulação ao selecionar uma amostra parcial de 75 ações do primeiro balanço (de um total de 1.646) para concluir, de maneira premeditada, que 75% das ações do PAC estão atrasadas. A Folha erra ao tomar o resultado de uma amostra e aplicar o percentual sobre o total de ações.

6. O fato é que das 2.471 ações monitoradas, metade foi concluída, 44% estão com ritmo adequado de execução, 5% em atenção e 1% em situação preocupante. Se metade foi concluída, como poderia haver 75% atrasadas?

7. A verdade é que, em valor, 40,3% das ações foram concluídas, representando investimentos de R$ 256,9 bilhões. Somados às ações em andamento, os investimentos do PAC, de 2007 a 2009, totalizaram R$ 403,8 bilhões – 63,3% da meta até o final de 2010.

8. Já o desmembramento de algumas ações (que o jornal chama de “fatiamento”) deve-se a sua complexidade e visa a aprimorar seu monitoramento. É o caso, por exemplo, da duplicação da BR 101 Nordeste, obra de mais de 1.000 Km de extensão, atravessando seis estados, e com diferentes estágios de execução.

Assessoria de imprensa da Casa Civil
terça-feira, 2 de março de 2010


Fonte: Página 13

terça-feira, 2 de março de 2010

Projeto de Revitalização da PJ Latino-Americana


Em comunhão com a Grande Missão Latino Americana, impulsionada pela Conferência Episcopal de Aparecida/Brasil, a Pastoral da Juventude Latino-Americana organizou um projeto de 4 anos com o objetivo de participar de modo ativo na tarefa confiada à Igreja do Continente.


Em 2010 o projeto está centrado na etapa do DISCERNIMENTO. O chão deste exercício de discernir é sempre a realidade – a vida dos/as jovens – continuamos dois movimentos anteriores – Encantar e Escutar – acrescentamos o movimento de discernir.

Esse movimento culmina com o III Congresso Latino Americano em setembro de 2010, na Venezuela.

Neste movimento teremos a retomada do caminho, o Projeto de Revitalização da PJ: A vida dos/as jovens, o relato da Escuta que aconteceu no XVI Encontro Latino Americano em Cochabamba/Bolívia, em outubro de 2009 que nos ajudará a retomar o processo ou ainda, articular as nossas ações de evangelização da juventude.

O programa desta etapa está descrito no Roteiro Discernir que nos indicam o caminho a ser percorrido neste ano. Esta etapa encerra com o III Congresso Latino Americana da PJ para a preparação do mesmo temo o hino e a oração. Também estará disponível uma página web www.pjlatinoamericana.com com uma sequência materiais para nos apoiar no aprofundamento. Um texto do Pe. Hilário Dick, Brasil sobre a etapa do discernir, outro texto de Carlos Mesters e Francisco Orofino, Brasil Jesus Formando e Formador que foi apresentado na 3ª semana da catequese/CNBB e o instrumento de estudo sobre o documento de Aparecida do Padre Alexis, secretário executivo do CELAM.

A preparação e a vivência serão motivadas por uma temática mês a mês. Temos até o III Congresso 8 (oito) meses. Este tempo de interação entre os jovens e adultos – coordenações e assessorias, onde leigos/as, religiosos/as, presbíteros e bispos envolvidos na missão e nos trabalhos de evangelização da juventude são convocados/as a entrar nesta ciranda.

O Congresso é um dos momentos mais chaves do caminho de Revitalização da PJ do Continente. Por isto, exige uma preparação cuidadosa tanto dos/as delegados/as, como de todas as Pastorais de Juventude e grupos convidados a participar do evento.

Participar do III Congresso de modo virtual, escutar as histórias dos/as jovens, fazer fotos para compor um grande painel é uma das tarefas, assim, como o encontro dos grupos de jovens, enviar suas idéias, para fazer parte de um grande tecido de várias cores.

O mês de janeiro, o Brasil tem a tarefa de mobilizar o continente, para o tema “Os diferentes rostos das culturas juvenil na AL e no Caribe” e para o exercício da leitura orante da Bíblia os textos 1 Re 3:3-14 e Lc 1,26-38.


Fonte: Casa da Juventude

segunda-feira, 1 de março de 2010

As Malvinas e a intromissão descarada





Bruno Peron Loureiro *
Adital -
O conflito das Malvinas estimula a retomada do adágio "a união faz a força" pela irmandade da América Latina.

Em se tratando do desnível de capacidade bélica entre Argentina e Inglaterra, uma cotovelada nos vizinhos latino-americanos convoca-os a lançar o tema como de importância regional em foros vindouros.

A Inglaterra enviou a plataforma marítima "Ocean Guardian" na intenção de explorar gás e petróleo a 160 km ao norte das Malvinas, cujo arquipélago de três mil habitantes é disputado desde o século XIX pelos dois países, mas ficou sob domínio inglês desde 1833.

Os pujantes há muito controlam territórios latino-americanos e ilhas adjacentes. A Inglaterra controla as Malvinas assim como a Pangérica faz em Porto Rico e a França na Guiana Francesa. Discute-se a soberania da Argentina e o espaço de defesa da América Latina.

A estratégia do governo argentino tem sido a de dificultar a ação das empresas inglesas, que se aproximam em consequência da alta do preço de petróleo. A presidente argentina Cristina Fernández passou a exigir autorização oficial de todas as embarcações estrangeiras para que naveguem em águas do país sul-americano.

O esforço da Argentina de frear o apetite inglês é histórico. A guerra de 1982 rendeu a baixa de 649 argentinos e 255 britânicos e a derrota dos anseios de recuperação do território pelos argentinos. O governo do ex-presidente Néstor Kirchner, para citar uma ação mais atual, fez campanha pela retomada das Malvinas.

É legítima a defesa dos recursos naturais na área marítima por parte da Argentina, ao mesmo tempo em que surgem boatos inoportunos de que a presidente Cristina Fernández tentou desviar a atenção de problemas internos, como o aumento da inflação e o uso das reservas do Banco Central.

Qualquer crítica nesta direção desconsidera que os países latino-americanos estão sempre atolados nalgum impasse ou problema e que, a despeito deste diagnóstico, devem travar certames a favor da soberania e do resgate da dignidade de seus povos humilhados e avassalados.

A Argentina e a Inglaterra estão dispostas a dialogar sobre as Malvinas, apesar de a segunda dar por encerrado o debate sobre a legitimidade de sua posse sobre as ilhas, cuja renda provém boa parte da pesca.

Um conflito armado é pouco provável pelo desnível das forças envolvidas.

O litígio não impede que a Argentina alimente o seu desejo de restituição do território por meio da condução do tema a um foro latino-americano de debates envolvendo representantes políticos de tomada de decisões importantes, como o Grupo do Rio ou o Conselho Sul-Americano de Defesa, que ainda não se consolidou.

A montagem de uma estrutura própria de discussões e ações sobre temas latino-americanos por governos progressistas na região começa a surtir efeito e a chacoalhar a base que, por séculos, sustentou a ganância dos países pujantes.

A Argentina não vê opção melhor que a união latino-americana para expulsar os corsários destas latitudes de onde muito sangue jorrou sob os mandos de forasteiros. As Malvinas são uma mostra da permanência de práticas colonialistas e imperialistas.

Cercados por navios de guerra e bases militares da Pangérica, a saída do mais fraco é resistir. Em mais uma prática desestabilizadora, a Pangérica convida o Uruguai a firmar tratados de livre comércio enquanto este país é fundamental para a continuidade do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL).

Embora a retórica seja a da paz, cujo prêmio Nobel foi estupidamente concedido ao estadista dúbio e infrutífero Barack Obama em função de mamulengo, a Pangérica militariza nossa região e a Inglaterra envia uma plataforma de prospecção de gás e petróleo como se fossem os donos do pedaço.

Basta de intromissão descarada.

As Malvinas pertencem à Argentina.

* Analista de relações internacionais

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Começam preparativos para plebiscito sobre limite de propriedade da terra


Com a intenção de manter o debate sobre a reforma agrária no centro das discussões políticas e sociais, o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA) realizará no mês de setembro o Plebiscito de iniciativa popular pelo Limite de Propriedade da Terra. A ação, que acontecerá nacionalmente durante o Grito dos Excluídos, faz parte da Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade de Terra em defesa da reforma agrária e da soberania territorial e alimentar.

Desde seu lançamento, em 2000, a Campanha trabalha com ações de conscientização e mobilização junto à sociedade brasileira. O objetivo é que seja incluído no artigo 186 da Constituição Federal um 5º inciso que limite o tamanho das propriedades rurais em 35 módulos fiscais. Todas as áreas acima destes 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público.

A realização do Plebiscito está entre as principais ações nacionais planejadas pelo FNRA. Sua organização tem o apoio das 54 entidades que constituem o Fórum e lutam pela reforma agrária, direitos humanos, meio ambiente e soberania alimentar e territorial. "Nossa intenção é construir um instrumento jurídico que estabeleça um limite de tamanho da propriedade e assim permita que a reforma agrária possa acontecer no Brasil. Em muitos países já existe esta limitação", explica Gilberto Portes de Oliveira, secretário executivo do FNRA.

Segundo Gilberto, a decisão das entidades que compõem o Fórum foi iniciar o ano de 2010 com uma campanha mais ofensiva. Por este motivo, decidiram agendar o plebiscito e trabalhá-lo como um "meio pedagógico de debater a limitação da propriedade da terra com a sociedade".

A Campanha e o Plebiscito têm ainda o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - Conic. Este apoio vincula diretamente a consulta popular à Campanha da Fraternidade 2010, que é ecumênica e tem como tema "Economia e vida". "O Plebiscito será o gesto concreto da Campanha da Fraternidade", afirma Gilberto Portes.

A consulta deverá acontecer durante a Semana da Pátria, entre os dias um e sete de setembro, quando também acontece o Grito dos Excluídos. Segundo Gilberto, a escolha da data está relacionada à simbologia do sete de setembro, que lembra, entre outras coisas, a independência do Brasil. Os locais de votação serão definidos pelas entidades que estão organizando localmente o Grito, sendo assim, não haverá dificuldade de localização das urnas e sessões.

Pela forte trabalho de conscientização junto à população, a expectativa é que haja participação massiva durante a votação. "Nossa expectativa é de forte participação, tendo em vista também a proximidade com o período eleitoral. Queremos colocar novamente em pauta a reforma agrária e a democratização da terra, temas que praticamente desapareceram da agenda política", fala Gilberto.

O Brasil continua a ocupar o segundo lugar no ranking dos países que mais concentram terras. Esta realidade está enraizada no país desde sua formação. Por este motivo, mesmo com o trabalho intenso junto à sociedade, o secretário executivo do FNRA acredita que muito ainda precisa ser feito no sentido de informar e conscientizar.

"Embora a população apoie a reforma agrária, muitos não sabem ainda do que se trata e por isso não fortalecem as mobilizações. Depende das igrejas e movimentos sociais explicar de forma pedagógica e conscientizar que a reforma agrária pode eliminar o latifúndio, a violência no campo e a estrangeirização do país, além melhorar a produção de alimentos. A população precisa estar informada para não ser envolvida com mentiras que dizem que a limitação da propriedade de terra quer tirar seu apartamento ou ainda tomar pequenas e médias propriedades. É trabalho de formiguinha, mas deve ser bem feito para que os objetivos não sejam distorcidos", encerra Gilberto.

Fonte: CPT

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Correspondente do Blog da Dilma


Olá Pessoal,

venho aqui informar que

sou um dos novos correspondentes

do Blog da Dilma.

O Maior Blog em prol da campanha da

Nossa Futura Presidente.

Confira o Blog da Dilma.

Tá Ligado!!

PT 30 Anos


Lembranças que o tempo quase apagou

Por Hamilton Octavio de Souza

O Partido dos Trabalhadores acaba de completar 30 anos de sua fundação. É o partido que está no governo federal, em alguns governos estaduais, em muitas prefeituras, com bancadas legislativas expressivas nos vários níveis. Tem um milhão de filiados, controla a mais importante central sindical, está presente nos movimentos sociais, ONGs, entidades civis, empresas públicas e privadas. É hoje uma grande máquina de atuação política com tentáculos em inúmeros negócios. Evidentemente os seus quadros dirigentes devem sentir orgulho do que construiram, apesar de todas as adversidades enfrentadas ao longo de tantos anos.

A minha história de vida também está ligada ao PT. Não até hoje, mas aos primórdios do partido, durante os anos 80 e parte dos anos 90. Depois disso a ligação passou a ser apenas esporádica, episódica, muito mais em função das relações pessoais com um ou outro companheiro ou companheira do que com a estrutura partidária. Não quero falar da minha vida, mas o esclarecimento acima é necessário. Quero escrever sobre algumas lembranças, reminiscências aleatórias, algo que fez parte de uma época do partido e que ainda faz algum sentido – na minha visão política de hoje.

Antes de marcarmos o encontro do Colégio Sion, que se tornou o marco oficial de fundação do partido (10/02/1980), tivemos – todas as pessoas e grupos engajados – ao longo de 1979 inúmeros encontros e conversas com lideranças políticas de vários matizes, nos quais se debatia a constituição de uma nova frente à esquerda do MDB (PMDB), não tão ampla, mas também não fechada demais nas classes trabalhadoras. Esse debate não foi adiante porque as principais lideranças do movimento pró-PT insistiam num corte classista para o novo partido, algo que fosse mais definido politicamente do que uma frente geléia geral; fixou-se assim num perfil que expressasse de fato a luta dos trabalhadores. A palavra de ordem na época era “um partido sem patrões”.

Devido a essa definição básica, de um partido de trabalhadores comprometido com a transformação social, o PT rompeu com a “frente democrática” reunida no PMDB e foi duramente criticado – durante anos – tanto por grupos progressistas quanto por partidos e organizações de esquerda. Para o PCB da época (que não tem nada a ver com o atual PCB), o PT fazia o jogo do general Golbery do Couto e Silva e não passava de linha auxiliar da ditadura. Alguns grupos trotskistas, como o do pessoal de O Trabalho, diziam que o Lula era agente da CIA e ou do Vaticano infiltrado no movimento sindical para impedir que o operariado caminhasse para o comunismo. Muita gente da esquerda atribuía ao PT o papel de enfraquecer e dividir as lutas dos trabalhadores e da própria esquerda.

Todos os que militaram no PT naquela época sentiram na carne o peso de tais acusações, sem contar a perseguição implacável da direita, não apenas das forças que davam sustentação à ditadura militar, entre 80 e 85, mas também do empresariado e da mídia considerados democráticos e liberais. Os petistas estiveram à frente de milhares de greves ocorridas entre 79 e 83, e também engrossaram as listas de demissões das empresas; foram, durante anos, os alvos preferenciais da repressão da Polícia Militar, primeiro da malufista e, depois, da montorista. Na greve geral de 83, vários sindicatos dirigidos por petistas sofreram intervenção federal. Deputados eleitos pelo PT em 82 estiveram nas frentes de luta dos trabalhadores e foram vítimas de acusações falsas e de calúnias.

Evidentemente que a teimosia dos petistas em construir uma organização política própria, combativa, autêntica representante das demandas dos trabalhadores e dos setores populares, chamou para cima da nova organização todo o ódio das classes dominantes e das classes médias influenciadas pelas políticas tradicionais. Mas o PT só conseguiu incorporar, nos anos seguintes, milhões de trabalhadores à luta política porque, naquele momento, escapou das armadilhas das elites, teve a ousadia de romper com as tendências conciliatórias e se afirmou com independência na construção de seu próprio caminho. Os petistas fizeram o mesmo, em 83, na construção da CUT – rompendo com a Conclat das correntes sindicais remanescentes da ditadura e que defendiam a “unidade” a qualquer preço.

Não dá para negar – e nem apagar da memória – que o PT e a CUT nasceram de importantes rupturas, no momento em que trabalhadores e lideranças políticas tiveram a clareza de que a construção do novo só poderia ser feita com o abandono do velho. Se o tempo mudou o rumo e as práticas do partido é outra história. Em 1980 a ousadia revolucionária foi decisiva para a fundação do PT.

Hamilton Octavio de Souza é jornalista, editor da revista Caros Amigos e professor da PUC-SP

Fonte: Revista Caros Amigos