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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Hipocrisia maquiavélica



Por Júlio Chiavenato do jornal Cidade

A história não começa ontem. Vamos lembrar o curto período de 1950 aos nossos dias. Nesse tempo nenhum presidente da República, democraticamente eleito, ousou dar um golpe. Mas aconteceram várias ten­tativas e por fim, a ditadura militar de 1964.

Domingo, a Folha (condenando Lula) e o Estadão (apoiando Serra), publicaram editoriais denunciando ameaças à liberda­de de imprensa e, por extensão, à demo­cracia. Os dois jornais sentem-se ameaça­dos com as reações de Lula, irritado pelas denúncias de corrupção no seu governo.

Que Lula é desbocado e seu governo tem vários escândalos não é segredo. Mas nunca a imprensa foi tão livre e falou o quanto quis como atualmente. Ele respon­de. Por que ter “medo” de um falastrão? Por que sua candidata pode vencer no pri­meiro turno?

É direito dos jornais apoiar os candidatos com os quais se identificam. O proble­ma é distorcer o noticiário, manipular fa­tos ou trabalhar com meias verdades. Isto sim, ameaça a imprensa, pois leva ao des­crédito.

Se é para ter medo, temo o Estadão e a Folha. Todos os golpes contra a democra­cia desde 1950, começaram com as cons­pirações no Estadão. Foi no Estadão que se gestou a ditadura militar, com editoriais “em defesa da democracia” e que culminaram por implantar a barbárie. Temo a Folha, que nos anos de chumbo da ditadura ajudou o DOI-COI e a Operação Bandeirantes, ao divulgar a repressão criminosa como se fos­se o combate heroico do bando do tortura­dor Fleury.

Lula não ameaça a democracia. A eco­nomia fortalecida garante o respeito à Constituição. São os jornais que têm tradi­ção golpista que ao final se revela suicida.

Desmascarando os e-mails falsos contra Dilma


Para facilitar a divulgação nesta última semana de campanha, foi feita uma compilação dos emails falsos que circulam nesta campanha sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete texto em questão.

A morte de Mário Kosel Filho: http://migre.me/1pfAb

A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura http://migre.me/1pfCc

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família http://migre.me/1pfEJ

Marília Gabriela desmente email falso http://migre.me/1pfSW

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos http://migre.me/1pfTX

Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata http://migre.me/1pfWn

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos: http://migre.me/1pfYg

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem http://migre.me/1pfZH

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa: http://migre.me/1pg1t

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso: http://migre.me/1pg2F

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo: http://migre.me/1pg58

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso: http://migre.me/1pg6c

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção: http://migre.me/1pg7p

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A luta da Globo contra a democratização dos meios de comunicação



Da redação do Página 13

Recomendamos a leitura do editorial de O Globo (ver abaixo), reagindo ao relatório de um dos grupos de discussão realizados durante o XVI Encontro do Foro de São Paulo.

O nome oficial do tal grupo de discussão foi Encuentro sobre democratización de la comunicación, que se dedicou basicamente a debater a experiência de Lei de servicios de comunicación audiovisual, recentemente aprovada pelo Congresso da Argentina, país anfitrião do XVI Encontro. Reproduzimos ao final a íntegra deste relatório.

Até sexta-feira, a Memória completa do XVI Encontro estará disponível na rede mundial de computadores.

Como se pode verificar da leitura do relatório, o problema não está nos porões petistas, mas sim na mentalidade cavernícula de grande parte dos donos e das penas de aluguel dos grandes meios de comunicação.




O Globo | Opinião | BR

Sinais contraditórios de PT e Dilma

A luta em defesa das liberdades de imprensa e, de modo mais amplo, de expressão ganha cada vez mais importância na América do Sul. Não apenas devido ao avanço do autoritarismo do caudilho Hugo Chávez contra jornais venezuelanos independentes, mas também ao recrudescimento, na Argentina, do cerco aos grupos “Clarín” e “La Nación” comandado da Casa Rosada pelo casal Kirchner. E a esses dois movimentos liberticidas se soma a ação de grupos políticos no continente, com representação no Brasil, em apoio a este garroteamento do jornalismo profissional, não chapabranca.

As intenções deletérias desses grupos de esquerda autoritária, neopopulistas, foram expressas semana passada, em Buenos Aires, no XVI encontro do Foro de São Paulo, organismo fundado na década de 90 para essas correntes políticas trocarem experiências, ajudarem-se mutuamente. Foi naquela época e desta forma que Lula e outros dirigentes petistas mantiveram contato com as Farc, que não estiveram presentes em Buenos Aires. Esperase que o Foro tenha concluído não ser saudável misturar-se à narcoguerrilha.

A ausência das Farc no encontro de Buenos Aires, entretanto, não tornou suas conclusões menos tóxicas para a democracia.

Como tem sido praxe nesse tipo de reunião – vide a Confecom no Brasil -, defendeu-se a “democratização dos meios de comunicação” e a limitação na “concentração dos meios”, termos cifrados para designar a censura em nome do “social” e dos “direitos humanos”, bem como a debilitação das empresas independentes de comunicação, para que passem a mendigar verbas públicas, fórmula infalível destinada a sufocar de vez a liberdade de imprensa.

Daí o tal encontro ter elogiado a Argentina, onde o casal Kirchner empreende novo ataque ao “Clarín” e ao “La Nación”.

Nos últimos dias, a Casa Rosada, como sempre de maneira arbitrária, cassou uma licença do grupo “Clarín” de provimento de serviços de internet e acelerou a escalada para tomar o controle da Papel Prensa, única fábrica de papel de imprensa do país, dona de 75% do mercado interno. Nesta empresa, o Estado argentino, com 28,08% das ações, é sócio do “Clarín” (49%) e do “La Nación” (22,49%), e tem feito de tudo para assumir toda a fábrica, com intenções óbvias. O agressivo e todo poderoso Guilhermo Moreno, secretário de Comércio Interior dos Kirchner, já fez inclusive ameaças de agressões físicas para conseguir afastar os grupos privados da empresa.

Para os brasileiros há um fator adicional de inquietação: o PT participou da reunião do Foro na capital argentina e subscreveu todos estes atentados às liberdades democráticas. Por irônica coincidência, enquanto PT e aliados latino-americanos urdiam contra as liberdades na Argentina, a candidata do partido, Dilma Rousseff, firmava, no Congresso da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), no Rio, a Declaração de Chapultepec, um decálogo aprovado pela imprensa das Américas em defesa da liberdade de imprensa e expressão como principal pilar da democracia.

Num possível governo Dilma, valerão o ato e as palavras da hoje candidata a favor das liberdades ou a intenção autoritária de militantes do seu partido? Não há por que duvidar da líder nas pesquisas eleitorais. Daí quanto mais cedo ela enquadrar os porões petistas, melhor para todos. Inclusive seu governo.



Íntegra do relatório

Valorizar a comunicação como um Direito Humano, não como uma mercadoria.

Se conseguiu que a Comunicação faça parte da agenda pública em muitos países da América Latina.

As leis não são o ponto de chegada, mas sim uma etapa de um processo de construção social e político; motivo pelo qual devemos revaloizar o papel das organizações e movimentos sociais e a relação do social com o político.

Devemos ter presente que uma lei é sempre manifestação de uma determinada correlação de forças existente em uma sociedade.

A experiência argentina explicita a necessidade de que exista uma pluralidade e diversidade de vozes e que o Estado tenha um rol protagonista nesta área, na formulação de políticas públicas sobre esta temática e em colocar limites á concentração dos meios.

É importante neste sentido aprofundar a relação entre o social e os poderes legislativo e judiciário, partido da realidade de cada país.

Resulta interessante analisar as experiências do Brasil, Paraguai e Argentina, que com distintas formas organizativas e de participação social conseguiram colocar em debate a credibilidade dos grandes meios de comunicação e, entre outras conclusões, se constata que caíram os níveis de venda e-ou audiência dos mesmos (diários e TV especialmente).

Reconhecer quais são as fissuras e contradições do sistema em cada nação latinoamericana, que nos permita desenhar e implementar estratégias de comunicação.

Propomos então uma série de tarefas, nas quais a experiência da lei de serviços de comunicação audiovisual da Argentina aparece como uma experiência imprescindível, porém devemos seguir trabalhando por sua implementação.

É preciso sustentar as instâncias de capacitação, assim como também a construção de meios próprios por parte das organizações sociais e das diferentes estruturas políticas.

Aprofundar o fortalecimento de redes e a relação da integração regional com o fortalecimento dos próprios processos em cada país. Neste sentido aparece como prioritária a elaboração de conte[udos ou uma maior coordenação entre organizações e meios, quanto a difusão dos fatos que ocorrem em cada lugar.

Foi proposto socializar entre os participantes do encontro, as páginas da Internet de cada país onde se pode encontrar informação verídica a respeito a situações que se apresentam em cada qual.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Jornal Nacional está retirando Lula do noticiário


Do Blog Nas Retinas

Em abril, as sonoras do presidente no JN estão 60% abaixo da média (0,40), em junho, cai para 64% abaixo da média (0,36) e em julho para 77% abaixo da média (0,23). Dito de outra forma, tirando os meses com distorção do noticiário sobre Irã (março e maio), o JN vinha dando uma sonora do presidente a cada 4 ou cinco edições do telejornal. Em abril e junho, vai para uma a cada 6,5 edições. Em julho, vai para uma a cada 9 edições. No mesmo período, os demais telejornais analisados fizeram praticamente o caminho inverso.

É evidente o esforço do Jornal Nacional para evitar que a candidata Dilma Roussef seja reconhecida pelo público como a candidata do presidente Lula. A medida que Lula aparece ao lado de Dilma, sua popularidade se cola a candidata. Um presidente com mais de 80% de aprovação popular pode sim impulsionar seu sucessor, apesar da mídia brasileira não querer e agora cobrar do presidente imparcialidade nas eleições. Para atacar o presidente, espalhando preconceitos, a mídia não o trata como o titular do mais alto cargo público do país. Basta lembrar o bando de cachorros loucos que o entrevistou no Roda Viva em 2005, durante a mais grave crise de seu governo.

Recebi de profissionais de mídia, especializados em clipping e acompanhamento de telejornais, tabelas comparativas que mostram como o Jornal Nacional está limando Lula do notíciário em 2010 enquanto em outros jornais, a média de aparições do presidente muda pouco. Isso não é falta de pauta relevante, pois os outros jornais continuam com cobertura frequente dos atos da Presidência.

Em junho de 2010, Lula teve 4 citações no JN Nacional contra 9 em 2009. Em julho foram 3 em 2010 contra 13 em 2009. Aqui você pode baixar a Planilhas de visibilidade do PR nos telejornais. E aqui baixe a tabela padrão de discordância do JN. Veja explicação mais detalhada dos dois arquivos:

De janeiro a julho de 2009, o presidente Lula apareceu falando no JN 57 vezes. No mesmo período deste ano, foram 44. Uma redução acima de 20%. No entanto, se descontarmos as sonoras relacionadas ao Irã, que foram 12 no período, aqueda seria de 44%, perto da metade. Na comparação apenas dos dois meses mais recentes, a diferença é impressionante:

junho de 2009, 9 sonoras do Lula no JN (mais de 2 por semana);

junho de 2010, 4 sonoras (uma por semana);

julho de 2009, 13 sonoras (mais de 3 por semana);

julho de 2010, apenas 3 sonoras (menos de uma por semana).

Na comparação com os principais telejornais das emissoras concorrrentes (Planilha 2) o JN está sempre abaixo da média, mas a divergência mais grosseira ocorre nos últimos quatro meses, tirando maio, quando o assunto Irã distorceu a curva. Em abril, as sonoras do presidente no JN estão 60% abaixo da média (0,40), em junho, cai para 64% abaixo da média (0,36) e em julho para 77% abaixo da média (0,23). Dito de outra forma, tirando os meses com distorção do noticiário sobre Irã (março e maio), o JN vinha dando uma sonora do presidente a cada 4 ou cinco edições do telejornal.

Em abril e junho, vai para uma a cada 6,5 edições. Em julho, vai para uma a cada 9 edições. No mesmo período, os demais telejornais analisados fizeram praticamente o caminho inverso, aumentando a frequência das sonoras do presidente: Repórter Brasil – de uma sonora a cada 2,5 edições em janeiro para uma a cada 2 em julho; Jornal da Record – de uma a cada 5 em janeiro para uma a cada 1,6 em julho; Band – de 3,1 para 1,7 e SBT de 4,2 para 1,8.

Na Planilha 1 tem um estudo comparado de mais de 600 matérias ou notas noticiadas pelos telejornais analisados. A cor vermelha indica uma matéria com sonora do presidente, a amarela uma matéria ou nota em que ele é mencionado como protagonista, mas não há sonora, a azul é quando a nota ou matéria só faz referência a ele e a cinza indica que o telejornal não deu nenhuma informação sobre o assunto noticiado nos demais. Em 24 ocasiões entre janeiro e julho, o JN usou um critério jornalístico que subavaliou o assunto em relação a todos os demais. Destes 24 casos, destacamos 15 exemplos berrantes, que estão na tabela de padrão de discordância e falam por si mesmos.