segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Serra o que é de Serra


Por: Paulo Donizetti de Souza, Revista do Brasil

Jornalista Marcio Aith coordenará comunicação da campanha de José Serra à Presidência

A informação havia saído no dia 4 de maio no blog de Lauro Jardim, no site da Veja. E está no boletim Jornalista&Cia (em PDF) desta semana (nº 744, de 19 a 25/5), do jornalista Eduardo Ribeiro, especializado em bastidores da imprensa e na movimentação de seus profissionais. Jornalista Marcio Aith coordenará comunicação da campanha de José Serra à Presidência

Aith era repórter especial da Folha de S.Paulo há pouco mais de um ano. Antes, era editor-executivo da Veja, revista na qual trabalhara por quase cinco anos, depois de construir uma reputação de bom repórter em passagens pela Gazeta Mercantil e a própria “Folha”.

Um episódios marcante da carreira de Aith, porém, foi ter assinado uma reportagem na Veja, há três anos, baseada no que foi chamado de “Dossiê Daniel Dantas”.

O Caso Veja

Acompanhe “O caso Veja“, ou vá direto ao capítulo “O Dossiê Falso

O tal dossiê encaminhado pelo dono do Banco Opportunity ao comando da redação da revista apontava a existência de contas secretas no exterior do presidente Lula, do ex-minitros Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Antonio Palocci (Fazenda) e José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação Estratégica, a quem Dantas havia espionado via empresa Kroll, por sua influência nos fundos de pensão), do senador Romeu Tuma e do então diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda.

A reportagem saiu mesmo com seu autor admitindo que não conseguira provar as denúncias de Dantas – aliás, mesmo tendo verificado que o dossiê do banqueiro era falso. A justificativa da revista em soltar a matéria foi “patriótica”: evitar que DD chantageasse o governo.”Aith cometeu o erro de sua vida, concordando em assinar a matéria. Ganhou um boxe especial, cheio de elogios, e a primeira mancha grave na sua até então impecável folha de serviços jornalísticos. Veja não se limitava a apenas a ‘assassinatos de reputação’ de terceiros, mas a destruir a reputação dos seus próprios jornalistas”, escreveu Luis Nassif no extenso relatório “O Caso Veja”, no qual descreve em detalhes, entre outros desvios éticos de jornalismo, como o comando da maior publicação semanal do país seria movido a interesses políticos e empresariais.

Nassif lembra que o problema daquela edição da revista começava pela capa: “A chamada – Daniel Dantas: o banqueiro-bomba. O seu arsenal tem até o numero da suposta conta de Lula no exterior – não mencionava dossiê falso. Pelo contrário, apresentava a falsificação como se fosse algo real”, observa o relatório.

Na ocasião da reportagem, Lula reagiu indignado e rapidamente, coisa rara da parte do presidente desde que começou a apanhar da imprensa, ainda no primeiro mandato. “A Veja não traz uma denúncia. A Veja traz uma mentira. Se tivessem me avisado que eu tinha 38 mil euros, eu teria comprado um presente para dona Marisa.”

Ao assumir a campanha de José Serra, é possível que Marcio Aith tenha recebido a mesma mensagem que o companheiro Reinaldo Azevedo enviara por meio de seu blog, em 23 de março do ano passado, quando Aith transferia-se da Veja para a Folha: “Bom trabalho, amigão!”

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